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Monday, July 26, 2010

A capacidade de ser multitarefa

Tenho notado que estou ficando defasada quanto à necessidade moderna de realizar várias tarefas simultaneamente. Não, esta característica não é exclusiva de máquinas, seres humanos também precisam se adaptar aos novos tempos e ser capazes de pensar em questões diferentes ao mesmo tempo.


Por muito tempo minha habilidade para me concentrar e mergulhar nos estudos foi útil, apesar de minhas irmãs se queixarem na infância por eu não ter escutado o que elas haviam me dito enquanto assistia televisão ou escrevia em um caderno. Elas achavam que eu não prestava atenção nelas, levavam para o lado pessoal, mas o que ocorria era que eu prestava atenção demais no que estava fazendo. Porém, percebo que é útil "equilibrar" vários pensamentos no plano da consciência, como um garçom, que consegue direcionar o pedido certo para cada pessoa da mesa, mesmo após um certo tempo ter se passado. Acredito que esta habilidade pode ser aperfeiçoada com treino.


James Joyce inovou a literatura ao transcrever o fluxo das idéias na mente para seu livro "Ulisses". A consciência é o espaço privilegiado dentro de nossa mente onde se desenrolam os pensamentos e sentimentos. Uma metáfora utilizada é a do teatro, a consciência é o palco em que os atores atuam. Os neurocientistas tentam arduamente definir em quais mecanismos fisiológicos ela estaria estabelecida e o livro "O erro de Descartes", de Antônio Damásio, é muito interessante porque mostra que a consciência na realidade se parece mais com um conjunto de cenas simultâneas e embaralhadas do que com algo organizado.

Thursday, April 22, 2010

Me hackearam!

Roubaram minha senha do hotmail e enviaram para todos os meus contatos uma mensagem pedindo dinheiro porque estava com problemas em Londres!
Espero que consiga recuperar o acesso à minha conta, porque eu guardava muitos artigos nas pastas, além dos contatos. Nunca achei que isso pudesse acontecer porque não pensava que minhas mensagens tivessem algum valor para outras pessoas (apesar de que o Shri já havia me avisado pra trocar de senha por outra mais difícil). Mas não é uma conta de banco, não envolve dinheiro, sei lá...
Tiro duas lições do ocorrido: a primeira é que tudo que é seu pode ser roubado, até um chinelo velho, as pessoas são muito estranhas (mais um fato para comprovar). Segunda: preciso me atualizar em tecnologia, porque o Shri começou a escrever para o Hotmail sobre o ocorrido, falando em termos tão enigmáticos que me senti totalmente por fora.
Por fim, para me contatar, podem usar o vffavaro@gmail.com.

Friday, April 16, 2010

Em busca do tempo perdido

Cheguei à página 500 do livro "Em busca do tempo perdido", do Marcel Proust! Não foi fácil e devo admitir que houve trechos em que passei mais rápido, em especial aqueles que dissecam a sociedade francesa do século XIX. Estou mais interessada no modo como ele descreve o próprio sentimento, como afirma tantas verdades sobre a alma humana.


O livro é praticamente a única obra do autor e é autobiográfico, apesar de conter trechos fictícios. Acho que ele não poderá ser transposto para o cinema devido à dificuldade em narrar o mundo interno do autor. O enredo em si é simples, sem tantos acontecimentos, (apesar de abarcar a vida inteira do personagem principal). Mesmo assim, já existe um filme baseado no primeiro volume, "Um amor de Swann", de 1984, com Jeremy Irons, que é bastante interessante pelas imagens e recriação da época.


Aos poucos o personagem está se tornando mais melancólico: teve uma grande desilusão amorosa e não corresponde aos anseios de seus pais. Seus próprios sonhos profissionais não são realizados por conta de sua asma e de sua fragilidade emocional. Ele vai discursando sobre suas lembranças, as expectativas em relação ao futuro e o que acontece no presente, e tudo parece muito dolorido. Ao mesmo tempo é tão verdadeiro e presente em algum grau na vida das pessoas em geral.


É curioso pensar que após tanto tempo, todos os personagens bem sucedidos do seu círculo só são conhecidos através do que Marcel Proust achava deles. A própria passagem do tempo ajudou a burilar o que importava dos acontecimentos do seu círculo social, e o que ficou foi... a própria visão dele...

Tuesday, March 23, 2010

Poema de Mário Quintana

Do livro da Sofia, "Só Meu":

Sempre

Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.

Tuesday, March 2, 2010

Minha sensibilidade

Enfim, depois de tanto tempo ausente, voltei a escrever!
Tenho rezado com a Sofia à noite, não para que ela tenha uma religião definida, mas para que tenha uma espiritualidade, uma capacidade de conversar com os céus para pedir conforto e também para agradecer pelas coisas boas da vida. Na última noite a gente estava pedindo para o papai do céu que olhasse pelas outras crianças e desse a elas coisas que a Sofia já tem: uma caminha gostosa para dormir, um leite quentinho e uma família por perto. Ela se lembrou de pedir pelas crianças do Haiti, especialmente, e eu fiquei contente por ela ter pensado nessas pessoas, e tocada por ver de novo a imagem das fotos publicadas após o terremoto bem na minha frente... Como será que estão as crianças no Haiti? Os jornais não falam mais nada sobre o país, agora a notícia é o que acontece no Chile, mas os haitianos continuam naquela terra arrasada, tendo que sobreviver a cada dia. Provavelmente as crianças irão se adaptar às pequenas e grandes violências das esquinas e vão crescer achando que a vida bruta é a norma. Será que algum dia conseguirão ver além da necessidade de sobrevivência?
Estava lendo um artigo inflamado que critica a posição do governo a respeito da política antidrogas de redução de danos. Neste tipo de abordagem, não importa que o paciente continue usando a droga, e sim que ele não adquira novas doenças, como AIDS e tuberculose, e para isso são distribuídas seringas, cachimbos para usar crack, etc. Acreditem ou não, esta é uma das poucas idéias que o governo tem para a saúde pública no campo da dependência de drogas. Mas continuando, no texto o autor perguntava perplexo o que estamos oferecendo aos nossos adolescentes e crianças, se confirmamos para eles que não podem parar de usar drogas, que a vida se resume ao inferno de crack e traficantes. Nossa função também é oferecer esperança, mesmo em situações tão difíceis quanto esta, e de preferência levando junto o apoio efetivo dos adultos...
Esses assuntos não me tocavam antes de ter filhos, porém agora são tão doídos, me deixam tão sensibilizada. Percebo agora que ensino a Sofia a rezar para eu mesma ter um alívio, uma sensação de que faço algo pelas outras crianças...

Thursday, October 22, 2009

Barbárie

Alguém viu a capa do Estadão de ontem? Tem uma foto estampada, onde um cadáver de uma pessoa que foi torturada antes de morrer está dentro de um carrinho de supermercado, sendo observada por várias pessoas, inclusive crianças. Fiquei tão chocada com esta imagem que até hoje estou tentando digerir o que vi...

Me lembrei também do documentário da National Geographic sobre a II Guerra Mundial. Estudei no colégio, aprendi direitinho os fatos históricos, mas só depois de ver as imagens é que caiu a ficha sobre os números: 70 milhões (70.000.000) de mortos. Havia pilhas de pessoas mortas em valas comuns. Você faz idéia do que é uma pilha de cadáveres? Fico tentando imaginar o nome de cada pessoa, tentar dar uma identidade para cada um, mas é impossível: não existem indivíduos numa situação dessas, só massas, alvos, estatísticas.

Nesse documentário há uma citação breve sobre o início dos campos de concentração. A morte a atacado surgiu porque na Polônia, a execução de civis com um tiro na nuca estava tirando a moral dos soldados alemães. Os oficiais decidiram então fazer a coisa de maneira mais "impessoal", o que facilitou o extermínio de tanta gente.

Talvez essa impessoalidade, ao ver alguém sendo tratado como coisa, porque carrinho de supermercado é para coisas, é o que choque na foto. E aí dá para pensar que o Rio de Janeiro está em guerra também, porque já chegou no ponto de indiferença para com os mortos. Ele entra então para os números novamente: já morreram 34 pessoas desde a tomada do Morro dos Macacos...

Tuesday, September 29, 2009

Lojas de fogos de artifício

A Prefeitura de Santo André e o Corpo de Bombeiros avisaram em matéria no Estadão que só fiscalizam lojas de fogos de artifício se houver denúncia pública. Ou seja, não há nenhum mecanismo preventivo para proteger os vizinhos desse tipo de perigo e nem pudor dos órgãos competentes em assumir sua inabilidade... Assim como a polícia usa o Disque Denúncia como principal fonte de sua inteligência, outros organismos do governo fazem o mesmo.
Me lembrei de um dado que descobri durante o colégio e que para mim foi um marco: Oslo, capital da Noruega, tem um departamento de Planejamento Urbano desde o século XVII.
Nós ainda chegamos lá...