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Tuesday, November 30, 2010

Feminismo

Ontem estava assistindo "A duquesa" e anteontem estava zapeando os canais e vi uma parte de "Legalmente loira". Agora que o Shri está viajando fico mais acordada à noite, com medo que aconteça algo com as meninas e eu esteja dormindo... O primeiro filme estava muito vívido em minha mente, talvez porque fui vê-lo no cinema e não tem como não prestar atenção nesse momento. O segundo havia passado batido, uma comédia legalzinha, mas não havia me marcado. A combinação dos dois tocou em mim dessa vez: fiquei pensando como ainda somos machistas na cultura ocidental. Nem quero me comparar com árabes e muçulmanos, agradeço por ter nascido no Brasil, mas ainda temos muito caminho pela frente para melhorar. Porque se a duquesa não impressiona por ter existido no século XVIII, a estudante de direito em Harvard que é muito feminina e por isso sofre preconceito, destoa da modernidade.
Lembrei de como eu mesma era tão preconceituosa na faculdade, como achava que precisava parecer "mais feia", sem muita produção feminina, para ser levada a sério e ter um ar de responsabilidade. Tirando minhas questões pessoais, também havia um ambiente que valorizava o aspecto masculino das mulheres estudantes de Medicina. Era como se as meninas fossem aceitas, mas precisassem jogar como os meninos. Em política também se fala muito desse assunto, da maneira como as mulheres agem quando estão nessa área de atuação, e como existe até uma imitação do jeito masculino de fazer política. E agora, com uma presidente mulher, é um assunto mais quente ainda. Até já comentaram sobre a sexualidade da Dilma e isso diz muito sobre nosso ponto de vista, como se para exercer este papel não fosse possível ela ser muito feminina...
2 fatos significativos: mulheres ainda ganham menos do que homens exercendo a mesma atividade profissional; todos os dias uma mulher morre vítima de maus-tratos domésticos no Brasil.

Sunday, October 10, 2010

Tropa de elite 2

O segundo filme não tem a força do primeiro. Estava com tantas expectativas, mas a ação é menor, as teorias sobre a violência brasileira não são originais e o filme é mais dramático. O inesquecível "Põe na conta do papa", tão sarcástico, dando um tapa na nossa cara, fica mais raro neste tropa de elite 2.
O que será que houve? Continuações são mais difíceis de serem feitas e em geral, não tão bem sucedidas, repetir a originalidade de um filme deve ser muito raro. Mas ainda assim, vale pelo conhecimento do que ocorre no Rio de Janeiro e pela atuação do Wagner Moura.

Monday, August 30, 2010

Meu relacionamento com a internet

Lembro que quando precisei permanecer em repouso durante a gravidez da Júlia, considerei um alívio a existência da internet. Consegui assistir aulas de psiquiatria, saber das notícias do mundo, escrever textos, tudo isso sem sair do quarto. Ficava me comparando com os meus antepassados e com todo o tédio que deveria ser ficar em casa, e me sentia privilegiada.
Curioso é que justamente eu, que estava tão eufórica, fui a pessoa do meu círculo que foi a mais lesada. O roubo do meu email da Microsoft me deixou sem chão... Perdi a lista dos meus contatos, vários textos interessantes que eu guardava nas pastas, fotos de filhos de amigos. Vivi numa situação semelhante a "O processo" do Kafka, porque o hotmail me pedia para provar que eu era eu mesma, e não aceitava minhas provas... Queria saber exatamente em qual data eu havia criado a conta, mas só sei que há 12, talvez 13 anos. Como vou saber o dia certo: nunca nem me preocupei em gravar esse dado, talvez até tivesse anotado em algum papel se o julgasse importante...
Confesso que fiquei traumatizada e só agora consigo falar sobre isso: 4 meses depois do ocorrido. Tenho vergonha do que aconteceu e do próprio fato de que isso me abalou tanto, mas fazer o que, é verdade... Ainda estou me comunicando pouco com as pessoas, já que não tenho o endereço delas, me sinto dependente do Shri para saber como devo me comportar na rede, e me sinto velha por nem ter percebido que as coisas mudaram tanto, que o comportamento na internet deve ser outro, todos os relacionamentos dentro dela já são mais complexos.
Acho que fica a lição de que qualquer ferramenta humana pode ser usada para o bem ou para o mal...

Monday, July 26, 2010

A capacidade de ser multitarefa

Tenho notado que estou ficando defasada quanto à necessidade moderna de realizar várias tarefas simultaneamente. Não, esta característica não é exclusiva de máquinas, seres humanos também precisam se adaptar aos novos tempos e ser capazes de pensar em questões diferentes ao mesmo tempo.


Por muito tempo minha habilidade para me concentrar e mergulhar nos estudos foi útil, apesar de minhas irmãs se queixarem na infância por eu não ter escutado o que elas haviam me dito enquanto assistia televisão ou escrevia em um caderno. Elas achavam que eu não prestava atenção nelas, levavam para o lado pessoal, mas o que ocorria era que eu prestava atenção demais no que estava fazendo. Porém, percebo que é útil "equilibrar" vários pensamentos no plano da consciência, como um garçom, que consegue direcionar o pedido certo para cada pessoa da mesa, mesmo após um certo tempo ter se passado. Acredito que esta habilidade pode ser aperfeiçoada com treino.


James Joyce inovou a literatura ao transcrever o fluxo das idéias na mente para seu livro "Ulisses". A consciência é o espaço privilegiado dentro de nossa mente onde se desenrolam os pensamentos e sentimentos. Uma metáfora utilizada é a do teatro, a consciência é o palco em que os atores atuam. Os neurocientistas tentam arduamente definir em quais mecanismos fisiológicos ela estaria estabelecida e o livro "O erro de Descartes", de Antônio Damásio, é muito interessante porque mostra que a consciência na realidade se parece mais com um conjunto de cenas simultâneas e embaralhadas do que com algo organizado.

Thursday, April 22, 2010

Me hackearam!

Roubaram minha senha do hotmail e enviaram para todos os meus contatos uma mensagem pedindo dinheiro porque estava com problemas em Londres!
Espero que consiga recuperar o acesso à minha conta, porque eu guardava muitos artigos nas pastas, além dos contatos. Nunca achei que isso pudesse acontecer porque não pensava que minhas mensagens tivessem algum valor para outras pessoas (apesar de que o Shri já havia me avisado pra trocar de senha por outra mais difícil). Mas não é uma conta de banco, não envolve dinheiro, sei lá...
Tiro duas lições do ocorrido: a primeira é que tudo que é seu pode ser roubado, até um chinelo velho, as pessoas são muito estranhas (mais um fato para comprovar). Segunda: preciso me atualizar em tecnologia, porque o Shri começou a escrever para o Hotmail sobre o ocorrido, falando em termos tão enigmáticos que me senti totalmente por fora.
Por fim, para me contatar, podem usar o vffavaro@gmail.com.

Friday, April 16, 2010

Em busca do tempo perdido

Cheguei à página 500 do livro "Em busca do tempo perdido", do Marcel Proust! Não foi fácil e devo admitir que houve trechos em que passei mais rápido, em especial aqueles que dissecam a sociedade francesa do século XIX. Estou mais interessada no modo como ele descreve o próprio sentimento, como afirma tantas verdades sobre a alma humana.


O livro é praticamente a única obra do autor e é autobiográfico, apesar de conter trechos fictícios. Acho que ele não poderá ser transposto para o cinema devido à dificuldade em narrar o mundo interno do autor. O enredo em si é simples, sem tantos acontecimentos, (apesar de abarcar a vida inteira do personagem principal). Mesmo assim, já existe um filme baseado no primeiro volume, "Um amor de Swann", de 1984, com Jeremy Irons, que é bastante interessante pelas imagens e recriação da época.


Aos poucos o personagem está se tornando mais melancólico: teve uma grande desilusão amorosa e não corresponde aos anseios de seus pais. Seus próprios sonhos profissionais não são realizados por conta de sua asma e de sua fragilidade emocional. Ele vai discursando sobre suas lembranças, as expectativas em relação ao futuro e o que acontece no presente, e tudo parece muito dolorido. Ao mesmo tempo é tão verdadeiro e presente em algum grau na vida das pessoas em geral.


É curioso pensar que após tanto tempo, todos os personagens bem sucedidos do seu círculo só são conhecidos através do que Marcel Proust achava deles. A própria passagem do tempo ajudou a burilar o que importava dos acontecimentos do seu círculo social, e o que ficou foi... a própria visão dele...

Tuesday, March 23, 2010

Poema de Mário Quintana

Do livro da Sofia, "Só Meu":

Sempre

Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.